Rafael, esse é meu nome.
Foi numa sexta-feira, às 11 e meia da noite, que eu apareci pela primeira vez ao vivo. Venho de um local quente e úmido, querido por toda a humanidade, a Batcaverna dos mortais. Já fui careca, enrugado e cego, já pensei que o mundo era quadrado e já queimei 3 mil bruxas, antes de ficar enrugado, careca e cego novamente.
Fui fã de Perna-Longa e via Pica-Pau dançando com a Eliana e o Melocoton. Também curtia Doug Funnie e Power Rangers. Felizmente, não influenciaram na formação do meu caráter. Caso contrário, você me veria vestido de Power Ranger vermelho, bicando árvores com meu nariz, segurando uma cenoura na mão (uhm) e berrando 'o que é que há, Paty Maionese?'.
Eu também gosto de lasanha com Coca-cola gelada. Sábado é meu dia favorito e domingo é o mais traiçoeiro. Sim, todos eles são traidores: começam ensolarados e sorridentes como um sábado, mas lá pelas 6 horas da tarde se transformam em montros escuros e assassinos, parecidos com a Mulher Melancia, tremendo feito gelatina, me mostrando que tudo vai recomeçar logo mais, às 6 da manhã.
E às 6 da manhã eu penso ser um horário sagrado. Deveria ser, por lei, o horário oficial de retornar pra casa, e não o de sair dela. Aguarde essa reforma no dia em que me tornar presidente.
Já quis ser médico, mágico, prefeito, astronauta, cantor, ator, desenhista, bombeiro, instalador de Tv à cabo e lixeiro, mas nunca levei jeito pra essas coisas.
Nunca zerei Sonic 2 e já passei algumas noites em claro por diversão. Algumas amizades minhas duraram 40 segundos, outras duraram séculos inteiros. Não desejo mal a quase ninguém (é, vai nessa), mas viveria muito bem sem um bocado de pessoas ao meu redor.
Boa parte das minhas frases possuem um duplo sentido. Boa parte dos meus amigos não entendem os duplos sentidos, e assim o mundo gira.
Tenho uma lista de Pavores Obscuros, ou coisas que eu espero que não aconteçam comigo: a-) fratura exposta, b-) perder uma unha, c-) quebrar um osso. Esses dias enquanto eu fazia a barba, a lâmina escapou (não me pergunte como) e passou em cima da minha unha, rachando ela no meio. Cara.. Caaaaaraaaaaa eu pensei que fosse morrer naquela hora, porque ninguém gosta de experimentar qualquer item de sua lista de Pavores Obscuros. Enfim..sangrou muito, doeu pra caralho, ardeu por bosta, mas cicatrizou. E eu descobri que embaixo de minha unha há carne. Arrepio só de pensar. Pois ontem aconteceu novamente. Só que dessa vez a lâmina cortou a unha e um pedaço da carne; CARA.. DOEU PRA CARALHO!
Gosto de coisas novas, mas a banalidade me persegue. Quando tá calor eu digo que prefiro o frio, quanto tá frio eu quero que volte a ficar calor. Abro a geladeira sem motivo e tomo banho pelado. A luz do poste apaga quando eu passo e o telefone toca quando eu saio de perto dele. Troco de cenários dançando e uso meu celular como despertador e peso de papel. Desenho enquanto falo ao telefone e gosto de colocar ketchup no arroz. Varro o quintal pensando no significado da vida e chamo libélula de lavacu só pra sacanear.
Já fui bom em Queimada e já colei em metemática. Já andei em Montanhas-Russas mas nunca namorei uma russa. Já soltei um palavrão cabuloso no alto do Kamikaze mas nunca pensei em ser um. Já tive medo do escuro mas hoje faço muitas coisas nele.
Dizem que eu sou designer, gostam de me chamar assim. De fato, eu não ligo para o design, mas o design liga pra mim. Ele me liga todos os dias, a cada 2 horas, me segue no twitter e me deixa depoimentos no orkut. Comenta meu fotolog e me acompanha em cada coisa que eu faço. Até no banho, o design tá comigo e me ajuda a esfregar aquela região das costas que ninguém consegue esfregar sozinho;
Eu acho algumas coisas fodas nessa vida. Soneto é uma delas. Porque escrever um poema com 2 quartetos e 2 tercetos, seguindo a métrica e a sonoridade, e ainda conseguir passar uma mensagem pra alguém.. meooo... o cara que faz isso é FODA!
Eu sou muito mais do que isso, e também quase nada disso, e fico orgulhoso de você ter lido até aqui.
- Mood:
Excited